Entre Yokohama e Roma: quem lucra mais na recta final?- Carlos Alberto

 




Japão dá prestígio, Roma dá votos. Lourenço aposta na montra internacional; ACJ joga na recta final com o apoio silencioso da Igreja Católica.

O Presidente da República, João Lourenço, encontra-se no Japão, co-presidindo a TICAD 9 em Yokohama como líder da União Africana — um palco que reforça a sua imagem de estadista continental. Ao mesmo tempo, Adalberto Costa Junior, no fim do seu mandato à frente da UNITA, está em Roma. Lá, participa num encontro de líderes católicos mundiais, um fórum político-religioso que reúne políticos, legisladores e autoridades da Igreja Católica de vários países.


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Em Yokohama, João Lourenço ganha projecção externa e potencial acesso a acordos e investimentos que podem beneficiar o país. No entanto, enfrenta resistência interna: enquanto defende o desenvolvimento africano, muitos angolanos continuam sem acesso a serviços públicos básicos. A sua estadia no Japão reforça o peso diplomático, mas o ganho nacional pode parecer distante e abstracto no meio da persistente insatisfação interna, como se viu na recente paralisação dos taxistas, que culminou em vandalizações, saques, pilhagens, detidos, condenados, execuções sumárias sem qualquer responsabilização, e uma compensação financeira  extraordinária de 50 mil milhões de kwanzas de crédito bancário. 


Por seu lado, ACJ está em Roma como líder em fim de mandato prestes a disputar a sua recondução ou sucessão no congresso da UNITA previsto para Novembro deste ano. E, se dentro do partido sopra um clima de insatisfação e contestação velada à sua liderança, o presidente da UNITA parece aproveitar bem os palcos internacionais para projectar a sua imagem e mostrar-se como figura credível, não apenas na oposição angolana, mas no circuito político mais alargado.


A aproximação com a Igreja funciona como poderoso capital político interno. ACJ tem mantido contactos com líderes católicos de peso, participando no fórum como plataforma para ampliar essa influência moral — justamente num momento em que as igrejas têm interesse directo em quem venha a assumir a Presidência da República, mas não por motivos "divinos". Essa proximidade religiosa pode traduzir-se em apoio simbólico decisivo e votos, cimentando a sua relevância interna num período crítico no país.


Assim, na comparação: João Lourenço brilha num palco global e pode assegurar promessas diplomáticas e investimentos futuros, mas corre o risco de ser visto como distante do cidadão comum. Adalberto Costa Júnior, pelo contrário, aproveita a recta final do mandato para reforçar capital moral junto da Igreja e dos valores que mobilizam o eleitorado angolano — factores que podem determinar não só a sua sobrevivência partidária, mas também o seu peso político imediato.


No fundo, entre as duas viagens, quem ganha mais votos — e sem gastar quase nada do Estado — é ACJ, não Lourenço. Em contexto de políticas impopulares e crescente insatisfação interna, o líder da UNITA capitaliza o palco internacional para reforçar a sua legitimidade moral e eleitoral — exactamente o que precisa neste momento decisivo da sua trajectória política.



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