Resposta ao artigo “Sobre a Detenção de Jornalistas”- Rui Kandove

 


Caro Vasco da Gama,


O que mais me surpreende no teu texto não é apenas o silêncio cúmplice de algumas redações, mas a tua aparente disposição para normalizar — ou até celebrar — a detenção de jornalistas. Não se trata de defender corporativamente colegas, mas de compreender o que está em jogo: a liberdade de imprensa e o devido processo legal.


Alega-se a existência de ingerência externa, terrorismo ou até de espionagem. Entretanto, os indícios apresentados são frágeis. Foram detidos dois cidadãos russos e um conjunto de jornalistas. Qual é, afinal, o elemento concreto que sustenta a tese de espionagem? Presumo que, para se falar seriamente em ingerência externa, seja necessário mais do que conjecturas.


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Pergunto:

 • Admitindo que haja “encomenda” de artigos, estamos perante crime ou apenas violação ética? Misturar ambos é perigoso, pois criminaliza condutas profissionais sem prova cabal.

 • Se os jornalistas estão identificados e não houve flagrante delito, por que razão não aplicar uma medida de coação menos gravosa? Será que se pretende mais o espetáculo mediático da detenção do que a busca da verdade?

 • Como é possível que um profissional da comunicação receba com aparente satisfação um episódio que atinge o núcleo duro da nossa profissão?


Tentando responder às tuas próprias questões:

 • Houve actos de corrupção envolvendo colegas nossos?

Se não houve julgamento, não há resposta definitiva. A menos que tenhas dados que a maioria das redações não tem.

 • Há ou não peças jornalísticas encomendadas, com dinheiro envolvido?

Existem acusações. Não houve pronunciamento dos acusados. Não há, portanto, como fazer um juízo equilibrado.

 • Há ou não órgãos que trabalharam mediante pagamentos?

Generalizações não servem — e muito menos ajudam — a esclarecer.

 • Há jornalistas que “vendem o país” por dinheiro?

A pergunta carrega um peso acusatório perigoso.

 • Venderam mesmo ou foram enganados?

Ao que se sabe, o colega da TPA foi contactado para fazer uma entrevista para um documentário. Não vejo crime nenhum em um profissional prestar um serviço pontual.


Este debate não pode ser episódico, limitado ao calor das detenções. É uma questão estrutural: o jornalismo só será digno desse nome se resistir à instrumentalização — seja por dinheiro, seja por poder político. E resistir começa por defender princípios, mesmo quando os acusados não são simpáticos ou próximos.


Se a “primeira versão da história” passa a ser escrita com algemas antes do julgamento, então não estamos a falar de jornalismo, mas de propaganda sancionada pelo Estado.



Aquele abraço,

Rui Kandove


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