NEGLIGÊNCIA E FALTA DE MEDICAMENTOS “ACELERAM MORTES” - Elias Muhongo



Após dois meses de o presidente do MPLA e da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, ter abordado os marcos dos 50 anos de Independência Nacional, em princípio, alegou de ter dado continuidade e aprofundado o processo de Reconciliação Nacional iniciado pelo seu antecessor, José Eduardo dos Santos. Por outro lado, dando atenção particular que, supostamente, vem prestando ao sector social, particularmente, ao sector da Saúde, onde o seu executivo está a fazer uma verdadeira revolução. Mas muitos dos pacientes que acorrem aos hospitais públicos e privados morrem, não só pela doença, mas por negligência médica e falta de medicamentos. 

Os familiares e pacientes criticam o atendimento indigno nos hospitais públicos e privados do país. A negligência e falta de medicamentos e meios médicos (luvas, algodão, fraldas, seringas e outros), alguns relataram, ao Jornal Folha 8, situações dramáticas no acesso aos serviços de saúde e afirmam que a negligência médica, mau atendimento, falta de medicamentos, recursos humanos, assistência médica e medicamentosa, são responsáveis pelo aceleramento das mortes hospitalares.


Segundo os relatos, cidadãos continuam a pernoitar à entrada dos hospitais e quase em todas as províncias de Angola para conseguirem ser atendidos. A fila é grande, os números e lamentos, gritos racham as paredes e muros de vedação, sobre o atraso no atendimento que leva muitas vezes familiar e pacientes desesperados, a ofender catalogadores, enfermeiros e médicos.


“Vão à merda, gatunos, corruptos, incompetentes, se o meu filho, minha mulher, meu marido morrer, vou vos matar, cambada de feiticeiros”, gritam no momento da aflição, quase chegando algumas vezes a vias de facto. Todo este alarido deve-se, ao péssimo desempenho dos profissionais dos serviços de saúde nos hospitais, levando a que os utentes se queixam permanentemente do mau atendimento, nas várias unidades sanitárias, parecem gémeos, pois em todos os hospitais, em Angola, é a mesma coisa.


A burocracia excessiva, a demora no atendimento, a comunicação deficiente e a fragmentação dos processos são entraves que exigem a atenção dos gestores hospitalares. A jornada do paciente dentro do sistema de saúde angolano ainda é repleta de entraves que comprometem não apenas a experiência do indivíduo, mas também a eficiência operacional das instituições hospitalares públicos e privados.


Os familiares explicam ainda o facto das casas de banho de unidades hospitalares que deveriam ser um espelho, serem autênticos pocilgas, um atentado a saúde dos doentes por serem lugares impróprios para seres humanos normais, quanto mais para doentes, dando mostras claras de que “o povo é o MPLA e o MPLA é o povo”, a frase que se tornou num dos principais slogans do partido há 50 anos no Poder e pelo silêncio que se resista, a fome e a miséria que se vê no rosto do verdadeiro povo conformista.


“É uma verdadeira desgovernação e pura incompetência, muitos pacientes que acorrem aos hospitais públicos e até privados morrem, não pela doença, mas por falta de cuidados e da devida atenção dos técnicos de saúde,” choramingam.


Para constatar a realidade, o Jornal Folha 8 ouviu várias denúncias das províncias e deslocou-se a alguns centros de saúde e hospitais públicos na capital do país (Luanda), para dar corpo às denúncias.


Manuel Costa, 58 anos de idade, funcionário que estava de folga, mas pertencente aos quadros de uma das unidades hospitalares, assistiu à morte de um seu ente-querido, por negligência dos colegas e contou ao F8 que já perdeu mais de uma dezena de parentes e familiares directos nos últimos 19 anos em hospitais públicos do país, não devido a doenças, mas por conta do mau atendimento dos técnicos de saúde.


“Infelizmente, tenho de reconhecer agora mais do que nunca, por me ter tocado na pele, haver falta de atendimento condigno nos hospitais e centros de saúde, bastando observar as pessoas a dormirem em papelões, junto aos portões de entrada destas unidades como se fossem moradores de rua,” assegurou.


A burocracia excessiva à fragmentação dos processos, passando pela demora no atendimento e pela comunicação ineficiente, os desafios acumulam-se e revelam a necessidade urgente de reformulação do executivo. Para gestores hospitalares, compreender esses gargalos e adotar estratégias para minimizá-los melhora a qualidade do serviço prestado e aperfeiçoa os recursos institucionais, fortalecendo a reputação das unidades de saúde.


“Existem, actualmente, muitas “restrições de entrada”, nos hospitais, fruto da corrupção, às vezes, paga-se, para entrar e ver o seu paciente, nos seguranças, nos hospitais públicos falta quase tudo para além dos profissionais de saúde que nos maltratam e, só não vamos a clínicas privadas por questões financeiras, mas também é a mesma coisa, somos alvo de um completo insulto, desde esperar 5 a 8 horas nas filas, mandarem-nos entrar e ficarmos muitas vezes a contorcer-nos no chão dos corredores, por mais 3 horas, para por vezes, nos mandarem sair, alegando não conseguirem trabalhar, é triste.


“Não se vê manutenção da paz, da reconciliação nacional, do combate à corrupção, o que se vê é que o país se transformou em manicómio,” lamentam.


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