Altos funcionários do regime angolano justificam, em meios privados, a contratação da empresa espanhola INDRA, pela quinta vez, para apoiar as eleições de 2027, com base num alegado “testamento” atribuído a José Eduardo dos Santos. Segundo essas versões, o falecido estadista teria recomendado ao seu sucessor que, para garantir a continuidade do MPLA no poder, não deveria abdicar da colaboração desta empresa.
A Indra tem participado em vários processos eleitorais em Angola, incluindo os realizados em 2008, 2012, 2017 e 2022, tendo sido responsável por fornecer soluções tecnológicas ligadas à organização logística, transmissão e processamento de resultados eleitorais. O seu papel consiste essencialmente na disponibilização de sistemas informáticos e infra-estruturas que permitem a recolha, tratamento e divulgação dos resultados do escrutínio.
Apesar da continuidade da empresa nos processos eleitorais angolanos, a sua participação tem sido alvo de críticas por parte da oposição, nomeadamente da UNITA. O partido tem questionado a transparência da contratação da empresa e contestado a sua presença no processo eleitoral, alegando riscos para a credibilidade do escrutínio. A empresa, por seu lado, tem rejeitado as acusações e assegura que os sistemas fornecidos cumprem os requisitos de segurança e transparência exigidos pela legislação eleitoral.
Para além das críticas políticas, a Indra tem sido também associada a polémicas relacionadas com alegações de irregularidades contratuais. Nas eleições de 2022, informações divulgadas em meios políticos e mediáticos apontaram que a empresa terá celebrado com a Comissão Nacional Eleitoral de Angola (CNE) um contrato avaliado em cerca de 160 milhões de euros, do qual aproximadamente 50 milhões teriam sido canalizados para intermediários angolanos, acusação que não mereceu confirmação pública por parte das entidades envolvidas.
Naquele processo eleitoral, cujo concurso público foi realizado em 2021, a concorrente norte-americana Smartmatic acabou afastada, ficando a Indra responsável pela solução tecnológica adoptada pela CNE. Do lado espanhol, os contactos foram conduzidos por Pedro Rodríguez Veiga, enquanto em Angola o processo de coordenação técnica da transmissão das actas-síntese foi acompanhado pelo então ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, Manuel Homem.
As críticas à presença da Indra no processo eleitoral angolano remontam a anos anteriores. Em Agosto de 2012, o então presidente da UNITA, Isaías Samakuva, denunciou publicamente um contrato celebrado entre a CNE e a empresa espanhola no valor de cerca de 130 milhões de dólares, afirmando que serviços semelhantes poderiam custar aproximadamente 25 milhões de dólares no mercado internacional. Na ocasião, o líder da oposição questionou o facto de o acordo ter sido celebrado sem concurso público, levantando dúvidas sobre a transparência do processo.
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