Dia dos Namorados ou Dia do Consumidor Apaixonado- Ademar Rangel



Já começaram a circular os textos de Dia de São Valentim. Corações, flores, promessas eternas, frases feitas copiadas de sites motivacionais e declarações públicas de amor que muitas vezes duram menos do que a bateria de um telefone.

Em teoria, o Dia de São Valentim deveria ser sobre afecto genuíno — pequenos gestos, atenção, tempo de qualidade, cuidado, romantismo simples. Mas em Angola, como em quase tudo, conseguimos fazer uma adaptação criativa… para pior.

Transformámos o amor numa factura.

O romantismo num recibo.

O gesto numa obrigação comercial.

Em vez de perguntarmos “como posso demonstrar o meu carinho?”, perguntamos “quanto tenho de gastar para provar que amo?”. Jantares caríssimos, presentes exagerados, flores que custam mais do que o salário mínimo, tudo para postar nas redes sociais e mostrar ao mundo que “somos felizes”.

Criámos uma competição silenciosa de amor performativo: quem oferece o melhor presente, quem faz a melhor surpresa, quem escreve a declaração mais dramática — não por sentimento, mas por aparência.

E o mais irónico?

Muitos casais passam o ano inteiro a discutir, a negligenciar-se, a não se ouvir… mas no 14 de Fevereiro, de repente, tornam-se protagonistas de um filme romântico patrocinado pelo consumismo.

O amor não devia precisar de um dia marcado no calendário nem de um cartão multicaixa cheio.

Devia ser quotidiano.

Devia ser simples.

Devia ser verdadeiro.

Talvez um dia deixemos de celebrar o São Valentim das lojas e das promoções, e passemos a celebrar o São Valentim dos gestos sinceros — sem pressão, sem performance, sem exibicionismo.

Até lá, continuaremos a confundir romantismo com consumo, e amor com ostentação.


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