Educação: liderança certa para o futuro certo de Angola- Joaquim Jaime

 


A educação é, por excelência, o mais poderoso factor de elevação social e um dos pilares fundamentais do crescimento económico e do desenvolvimento sustentável de qualquer país. Actualmente, o mundo atravessa profundas transformações científicas e tecnológicas, corrida pela economia do conhecimento, pela competição global e por inovação. Investir na educação deixou de ser uma opção política; é uma questão estratégica de sobrevivência e soberania nacional. O futuro do nosso país está fortemente dependente do resultado das salas de aulas. 


A história recente oferece exemplos muito claros. Países outrora extremamente pobres, como a China e o Vietname, conseguiram transformar as suas economias e melhorar significativamente as condições de vida das suas populações ao colocarem a educação no centro da sua estratégia de desenvolvimento. O investimento consistente na educação de qualidade, inclusiva e orientada para a ciência, tecnologia e formação técnica permitiu-lhes criar capital humano qualificado, acelerar a industrialização, atrair investimento produtivo e reduzir a pobreza estrutural.


No nosso país, o debate sobre a educação tem sido recorrente, mas os resultados continuam aquém das expectativas. O próprio Presidente da República, João Lourenço, reconheceu publicamente, em várias ocasiões, a falta de qualidade do ensino, apesar do aumento do acesso escolar registado nos últimos anos. A recente exoneração da Ministra da Educação deve, por isso, ser interpretada não apenas como um acto administrativo, mas como um sinal político claro de insatisfação com o desempenho do sector e de urgência na mudança de rumo.


Neste contexto, a escolha da nova Ministra da Educação assume uma importância decisiva. Não se trata apenas de preencher uma vaga governativa, mas de definir o tipo de liderança capaz de conduzir uma reforma estrutural do sistema educativo. O perfil da nova titular da pasta deve reunir, pelo menos, três dimensões fundamentais.



Em primeiro lugar, a dimensão técnica. A nova ministra deve dominar profundamente o funcionamento do sistema educativo, compreender políticas públicas de educação, planeamento estratégico e avaliação de resultados. Mais do que isso, precisa de ter uma visão clara da articulação entre educação, mercado de trabalho, industrialização e inovação tecnológica. Sem competência técnica, as reformas tendem a ser improvisadas, desconectadas da realidade e ineficazes.


Em segundo lugar, a dimensão política. A educação é um sector sensível, transversal e com múltiplos interesses em jogo. É indispensável que a nova ministra possua autoridade política para definir prioridades, enfrentar resistências corporativas, dialogar com outros sectores estratégicos e garantir estabilidade e continuidade das políticas. Reformas profundas exigem coragem política e capacidade de liderança.


Por fim, a dimensão ideológica e estratégica. A nova ministra da Educação deve ter uma visão clara sobre o papel do Estado na garantia de uma educação pública forte e de qualidade, entender a educação como instrumento central de mobilidade social e redução das desigualdades, e reconhecer o conhecimento como base da diversificação económica e da construção de um futuro soberano para Angola. Sem visão estratégica, governa-se apenas o presente e adia-se o futuro.


A exoneração da anterior Ministra da Educação abre, assim, uma janela de oportunidade política que não deve ser desperdiçada. O país precisa de mais do que discursos bem-intencionados: precisa de liderança competente, firme e visionária no sector da educação, sobretudo no actual contexto em que o conhecimento é o principal activo das nações, não haverá desenvolvimento sustentável sem educação de qualidade - e não haverá educação de qualidade sem liderança à altura do desafio.


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