Um empresário e ativista identificado como Beto da Indonésia passa a ser, segundo documentos obtidos pelo Lil Pasta News, o único representante legal do estilo musical angolano kuduro e da respectiva marca na Ásia. O registro teria sido feito sem o conhecimento ou consentimento do fundador do movimento, Tony Amado, nem do Ministério da Cultura de Angola.
O documento, cuja cópia está em posse do Lil Pasta News, estabelece que qualquer uso do nome, imagem ou do estilo “kuduro” na Ásia depende de autorização expressa de Beto da Indonésia. A determinação provocou reação imediata entre produtores, DJs e artistas que trabalham com o gênero, que afirmam não ter sido consultados e consideram a medida uma apropriação indevida.
“É complicado quando muita gente está a aproveitar-se do nosso esforço. Nós, fazedores do kuduro, estamos cada vez mais pobres”, lamentou o músico Pai Profeta, uma das vozes mais sonantes do movimento. Em tom de alerta, ele e outros artistas ouvidos pelo Lil Pasta News pedem que o Ministério da Cultura de Angola intervenha para reverter a situação e proteger os direitos culturais e econômicos ligados ao kuduro.
Fontes consultadas dizem que a estratégia de registro em outros territórios é usada por empresários para controlar o uso comercial de marcas e estilos culturais, o que pode criar barreiras legais para artistas originais divulgarem, licenciárem ou lucrar com sua própria produção fora de Angola.
A nossa equipe tentou, sem sucesso, contatar Beto da Indonésia. Até o fechamento desta edição, as ligações não haviam sido atendidas.
O caso levanta questões sobre proteção do patrimônio cultural imaterial e a necessidade de mecanismos que garantam aos criadores originais reconhecimento e remuneração adequados, sobretudo quando estilos populares atravessam fronteiras e ganham difusão global.
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