Angola está a beneficiar de uma inesperada bonança petrolífera. O preço médio de exportação do petróleo angolano atingiu os 103,9 USD por barril em Março, um valor que contrasta fortemente com os 66,8 USD registados em Janeiro e os 71,2 USD de Fevereiro — e que supera em 42,9 USD o preço médio de 61 USD inscrito pelo Governo no Orçamento Geral do Estado para todo o ano de 2026.
A escalada dos preços tem como pano de fundo o conflito entre Israel e os Estados Unidos com o Irão, que tem restringido a circulação no Estreito de Ormuz — corredor por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — pressionando em alta as cotações internacionais do crude.
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A subida inesperada já mobilizou várias instituições financeiras nacionais e internacionais a rever os seus cenários macroeconómicos para Angola. O mais optimista de todos é o BFA, que classifica a situação como um choque externo positivo, com impactos directos nas receitas fiscais, no sector externo e na liquidez da economia.
Em relatório datado de 17 de Abril, o banco projecta um cenário com base num preço médio anual de 85 USD por barril, que permitiria elevar o crescimento económico para 4,87% em 2026, reduzir a inflação média de 12,56% para 11,54% e inverter o saldo fiscal negativo de -1,7% do PIB para um superávite de 0,44%. O rácio da dívida pública desceria ainda de 50,1% para 47,9% do PIB.
Contudo, o BFA deixa um aviso importante: os ganhos podem ser menores do que o esperado.
O banco alerta para o risco de prociclicidade da despesa pública, sobretudo em períodos eleitorais, onde a pressão para aumentar os gastos tende a intensificar-se. Acresce que preços mais elevados do petróleo implicam também um aumento das despesas com subsídios aos combustíveis, o que limita o esforço de consolidação fiscal e atenua parte dos ganhos orçamentais inicialmente projectados.
Expansão



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