O ditador sanguinário encontra-se hoje numa luta pela sobrevivência política que faz recordar os últimos dias do ditador José Eduardo dos Santos na Presidência da República. Angola transformou-se num país refém dos caprichos autoritários de um homem que, em nome da manutenção do poder, parece disposto a adiar indefinidamente o processo de democratização nacional.
Na prática, João Lourenço governa Angola como se o Estado fosse uma extensão da sua propriedade privada. Usa e abusa das instituições públicas ao seu bel-prazer, instrumentaliza órgãos do Estado, promove ajustes directos para beneficiar círculos de proximidade e dá sinais claros de que pretende perpetuar uma lógica familiar de controlo do poder. O cenário desenhado nos bastidores políticos é cada vez mais evidente: ele procura manter o controlo absoluto do MPLA enquanto a sua esposa surgiria como figura central no aparelho governativo.
Fisioterapia ao domicílio com a doctora Odeth, liga agora e faça o seu agendamento, 923593879 ou 923328762
A ironia política é inevitável. O mesmo João Lourenço que combateu ferozmente a chamada “bicefalia” no passado, apresentando-se como defensor da concentração da autoridade presidencial, surge agora como promotor de uma nova fórmula de bicefalia, desde que esta sirva os seus interesses e satisfaça os seus próprios caprichos autoritários.
Dentro do MPLA, os sinais de fractura já não podem ser escondidos. Higino Carneiro, ao manifestar a intenção de disputar a liderança do partido, passou imediatamente a enfrentar o peso das engrenagens do sistema. A Procuradoria-Geral da República surge como instrumento de pressão num contexto em que muitos interpretam existir uma tentativa deliberada de inviabilizar a sua candidatura. De certa forma, Higino Carneiro começa agora a experimentar aquilo que várias figuras da oposição angolana, sobretudo Adalberto Costa Júnior, enfrentaram ao longo dos últimos anos diante do aparelho político instalado na Cidade Alta.
Ao mesmo tempo, figuras outrora centrais do lourencismo começam a cair em desgraça. Francisco Furtado, antigo chefe da Casa Militar, foi afastado de forma silenciosa e humilhante que até virou saco de pancada dos paninas. Norberto Garcia, durante anos um dos rostos mais activos da propaganda presidencial, também perdeu espaço e influência, foi atirado no CEFOJOR para não morrer de desgosto. O regime começa a consumir os seus próprios filhos políticos.
O MPLA atingiu um elevado nível de saturação. O desgaste do poder tornou-se visível, tanto no plano político como social. Depois de 5 décadas no comando do país, o partido já não consegue mobilizar esperança colectiva; luta apenas pela sua própria sobrevivência. O desespero manifesta-se agora na convocação de marchas de solidariedade em defesa da recandidatura de João Lourenço, apesar do evidente desgaste da sua imagem pública.
É precisamente neste ambiente de incerteza, medo e erosão institucional que a proposta de um Pacto de Estado apresentada pela UNITA ganha relevância política. Angola precisa urgentemente de garantias mútuas, estabilidade institucional e mecanismos de transição capazes de evitar que o país continue prisioneiro das disputas internas do poder.
João Lourenço sabe que o exercício do poder em Angola deixou de oferecer garantias absolutas. O modo como tratou José Eduardo dos Santos — perseguido politicamente, humilhado publicamente e espezinhado até depois da morte — tornou-se também um espelho do medo que hoje assombra o próprio sistema. Existe um receio evidente de que o mesmo método possa ser usado contra quem hoje ocupa o topo da hierarquia política.
Mas nenhuma nação pode continuar sequestrada pelos medos pessoais dos seus governantes. Angola precisa de alternância política, reformas profundas e reconciliação institucional. A mudança deixou de ser apenas uma reivindicação da oposição; tornou-se uma necessidade histórica para garantir estabilidade, democracia e futuro ao país.
Lil Pasta News, nós não informamos, nós somos a informação



0 Comentários