O “caso EFACEC” e o silêncio da imprensa pública- Ilídio Manuel



Num curto espaço de 48 horas, a empresária angolana e antiga PCA da Sonangol, Isabel dos Santos, concedeu entrevistas a dois órgãos de comunicação social angolanos. 


Há uns anos, quando o clã Eduardo Santos reinava em Angola, era quase que impensável Isabel dos Santos falar à imprensa do seu próprio país, optando pela imprensa estrangeira, mormente a portuguesa.


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades!


Nesta quarta-feira, a rádio ESSENCIAL conseguiu o “furo jornalístico” ao entrevistar a empresária que se encontra “exilada” no Dubai devido a uma série de processos judiciais que tem à perna em Angola. 


A sentença de um tribunal português a favor de Isabel dos Santos no “caso da EFACEC” serviu de pretexto para a entrevista, que tem sido bastante comentada no espaço público, sobretudo nas redes sociais, onde as opiniões divergem em relação à primogénita de José Eduardo dos Santos.

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Um dos temas que mais levantou polémica tem a ver o facto de ela ter dito, na referida entrevista a Edno Pimentel, que durante o tempo que estudou em Angola, ia à pé para a escola e sentava-se numa lata de leite, devido à falta de carteiras. Ninguém acreditou em tamanha patranha!


Nesta sexta-feira, a polémica empresária e antiga gestora pública concedeu uma entrevista ao Novo Jornal, tendo a mesma gravitado em torno do “caso EFACEC”.


Do ponto de vista jornalístico, as duas entrevistas feitas a órgãos de comunicação privados fazem todo o sentido tendo em conta o “valor noticioso” dos factos, mas não se compreende que um acontecimento desse vulto tenha sido, pura e simplesmente, ignorado pela imprensa pública que é, como se sabe, sustentada pelo dinheiro dos contribuintes. Estes viram as suas expectativas defraudadas.


O silêncio tumular da imprensa estatal é mais uma confirmação de que os órgãos de comunicação social estatais estão longe de servir o interesse público, estando estes aos serviço dos detentores do poder, dos que capturaram esses mesmos meios para satisfazer o seu doentio desejo de eterna manutenção do poder. 


Sintomaticamente, a imprensa, que hoje faz tábua rasa do “caso EFACEC”, foi a mesma que, num passado recente, deu grande ênfase ao _Luanda Leaks_, em que Isabel dos Santos, à altura, accionista maioritária da empresa, foi “julgada” no espaço público, sem direito à sua defesa.


Os órgãos em causa, num execrável exercício do jornalismo, não se deram ao trabalho de obter o contraditório junto da visada, de acordo com a Lei de Imprensa.


É dado adquirido que os critérios editoriais desses órgãos obedecem a determinadas agendas políticas, que estão nitidamente em rota de colisão com os princípios que norteiam o jornalismo isento, imparcial e plural.


A manipulação jornalística e o silenciamento de vozes incómodas, sobretudo de alguma oposição e da sociedade civil, fazem parte dessa ampla estratégia de manutenção no poder, algo que é feito, infelizmente, com a conivência dos próprios jornalistas, que aceitam pacificamente a censura, quando não optam pela auto-censura.

Lil Pasta News, nós não informamos, nós somos a informação 

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