“Caso dos russos”: Ministério Público liga arguidos a greve dos taxistas que matou 29 pessoas

 


O julgamento do conhecido “caso dos russos” entrou na fase das alegações finais. O Ministério Público (MP) pediu, em tribunal, uma pena de 18 anos de prisão para cada um dos dois cidadãos russos arguidos e penas entre 10 e 15 anos para os dois angolanos também acusados, todos por crimes de terrorismo, apurou o Novo Jornal junto do tribunal.

 

Para além de pedir a condenação dos quatro arguidos, o MP requereu também que os russos Igor Ratchin e Lev Lakshtanov sejam expulsos do território angolano depois de cumprirem as respectivas penas.

 

Em relação ao jornalista da TPA Amor Carlos Tomé e ao dirigente da JURA (braço juvenil da UNITA) Francisco Oliveira, o Ministério Público considera que ambos se associaram aos alegados planos criminosos dos dois russos, pedindo por isso a sua condenação. Para Amor Carlos Tomé, o MP pede 15 anos de prisão e 100 dias de multa; para Francisco Oliveira, conhecido como “Buka Tanda”, pede 10 anos de prisão e 60 dias de multa.

 


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O Ministério Público afirma ter ficado provado que Ratchin e Lakshtanov integravam uma organização terrorista internacional cujo objectivo era colocar a UNITA no poder nas eleições gerais de 2027, gerando instabilidade no país. Segundo a acusação, os dois russos lideravam o grupo e foram os principais mentores da greve dos taxistas — que em Julho do ano passado desencadeou protestos violentos e provocou 29 mortes —, tendo ainda financiado, através da internet, actividades terroristas num valor superior a 150 mil dólares.

 

Quanto à versão dos arguidos, de que pretendiam apenas abrir uma casa de cultura em Angola, o MP considera tratar-se de uma justificação falsa.

 

A defesa reagiu duramente às alegações da acusação, classificando-as de infundadas e “infantis”. Os advogados afirmaram ser “vergonhoso” ouvir a acusação chamar terroristas aos arguidos e pediram ao tribunal que ignore os argumentos do MP e absolva os quatro réus, por considerarem que nada foi provado.

 

Segundo as autoridades angolanas, Lakshtanov e Ratchin têm ligações a organizações internacionais de financiamento ao terrorismo. O MP acusa-os ainda de planear um golpe de Estado em Angola e de pretender apoderar-se de activos económicos nacionais em troca de apoio a forças da oposição.

 

Os quatro arguidos foram presos em Agosto do ano passado, em Luanda, na sequência da greve dos taxistas iniciada no final de Julho contra o aumento do preço dos combustíveis e das tarifas dos transportes públicos — protesto que degenerou em actos de vandalismo.


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