A Bolsa de Valores e Derivados de Angola (BODIVA) prepara-se para realizar uma das suas maiores operações de venda de capital — desta vez uma verdadeira operação bolsista, ao contrário do que tem sido praticado nos últimos anos, quando, de forma tecnicamente incorrecta, a instituição se dedicou sobretudo à colocação de títulos de dívida pública.
Está em causa a alienação de parte do capital social da Unitel, operadora de telecomunicações que, por razões meramente circunstanciais — e também de forma tecnicamente incorrecta —, ficou sempre associada ao nome da empresária Isabel dos Santos, quando, na realidade, o maior accionista da empresa foi sempre a Sonangol, E.P.
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Este contexto tem, no entanto, sido aproveitado por certos órgãos de comunicação social — a que o autor apelida, ironicamente, de "Mídia Ninja" — para traçar um paralelo tendencioso com o passado político do país, veiculando a ideia simplista de que "a filha do actual Presidente vai vender a empresa da filha do ex-Presidente" através da bolsa.
Segundo o autor, este tipo de narrativa insere-se numa lógica de jornalismo sensacionalista — a que chama, com ironia, "jornalismo que precisa de sangue para vender" —, alegadamente favorecido, ainda que de forma indirecta, pelo próprio Executivo, através da associação da sua imagem institucional a determinados projectos de comunicação social. Este tipo de conteúdo, segundo o texto, tem como efeito confundir o público menos atento — e, lamenta o autor, "conseguem".
Mukila wa Nzaji
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