Camponeses das cabanas da Vila Kiaxi acusam a administradora municipal da Camama, Claudinete Fragoso Damião, de os desalojar e deixar famílias a dormir ao relento por vários dias. No dia 31 de Julho, do ano em curso, a administradora teria ordenado a destruição das residências e plantações de camponeses que vivem na Vila Kiaxi, no município da Camama, dentro do perímetro da empresa Konda Marta, com o objectivo de construir no local a “Terceira Cidade da China”. Para tal, apareceram no local máquinas e efectivos da polícia.
De acordo com os camponeses, a intenção da Administração da Camama é retirar todos os habitantes daquela área, porque supostamente a administradora vendeu o espaço aos chineses. A administradora é acusada também de mandar demolir o muro da empresa Konda Marta e de remover do sistema a licença de construção e vedação de um terreno pertencente à mesma empresa, que tem a posse do espaço há vários anos.
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Mimosa Alfredo Camondua, chefe dos camponeses, conta que a Administração da Camama, pelo dinheiro, preferiu "beneficiar o estrangeiro e massacrar aqueles que têm o seu sangue".
“O que vivemos no dia 31 foi uma verdadeira guerra. Ela não veio ajudar o povo, veio administrar terrenos e expulsar este povo que está aqui.
Por não ter onde recorrer, as camponesas são todas mamas da OMA, idosas e cansadas. Estão a dormir na rua com os seus filhos.
Eu recebi ameaças de mo*rte por ser a chefe. O director da Konda Marta nos deu apoio, cedeu-nos o terreno dele onde vivemos e trabalhamos", contou.
"Neste momento, estamos sem documentos pessoais, eles retiraram as nossas coisas de casa, queimaram e deitaram fora.
Estamos a clamar por socorro.
Somos mais de 300 pessoas, a dormir na rua. Isso é terrível. Pedimos ajuda do Presidente João Lourenço”, rogou, sublinhando que as demolições foram feitas sem aviso prévio.
Por conta dos dias que estão a dormir ao relento, o filho de um dos camponeses, de 7 anos de idade, morreu alegadamente por causa do frio, mesmo assim ela mandou desalojar todos.
"Ela é filha da Luísa Damião. Ela é muito rica, mas quer tirar as terras dos camponeses para fazer um shopping no local.
A administradora veio há pouco da África do Sul, foi dar à luz. Mal sentou na cadeira já está a massacrar o povo", acusou.
Ela teria falado com o Senhor Daniel Afonso Neto, PCA e director da Konda Marta, que comprou chapas e ajudou os camponeses a construir no terreno.
Os populares acusam a administração de retirar a licença do empresário do sistema para dizerem que vivem aí ilegalmente e que director associou os camponeses à empresa dele.
"Por causa da ganância, ela vai matar todo mundo. Estamos sem paradeiro. Por quê que a administradora não vem fazer uma acção social, construir escolas, hospitais ou dar sopas solidárias? Ela não faz isso. Só quer tirar as pessoas do espaço, porque vendeu o terreno.”
Daniel Afonso Neto, director da Konda Marta, lamentou a situação e realçou que antes da alegada remoção da licença, estiveram no espaço técnicos ligados ao processo e realizaram uma vistoria ao terreno.
“Aqui todos os governantes que têm os seus espaços constroem com a presença da polícia, intimidando as pessoas. A licença deles é a polícia. Eu, porém, escolhi construir respeitando as leis. Há cerca de cinco meses, fomos contactados por técnicos para a vistoria ao terreno. Pediram três milhões de kwanzas, supostamente destinados a técnicos provenientes do Governo Provincial de Luanda", disse.
Na Mira do Crime
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