Página Um — DINHEIRO PARA LATARIA. O Executivo vai gastar 5,8 mil milhões de kwanzas (cerca de 6,2 milhões de dólares norte-americanos) na aquisição de viaturas protocolares, administrativas e operativas para o Serviço de Inteligência e Segurança Militar (SISM). Segundo o Plano Anual de Contratação (PAC) 2026 do SISM, o processo será feito por Contratação Simplificada (ajuste directo). Segurança é vida. É paz. É tranquilidade. É ordem. O investimento na Segurança Nacional é indiscutível. Mas o montante é manifestamente excessivo. O SISM sempre esteve bem servido em transporte. A verba poderia ser canalizada para outros meios operacionais prioritários. Não para viaturas. De cinco em cinco anos, ministérios, serviços e órgãos de soberania gastam avultadas somas em viaturas. É um investimento recorrente em lataria.
Página Dois — A CIRCULAR DA MORTE. A Circular A2 liga o Aeroporto Internacional António Agostinho Neto ao Hospital Dom Emílio de Carvalho, no Zango 8 Mil. Tem dezasseis de quilómetros. Transformou-se num corredor de mortes. Falta iluminação. Falta Estado. A escuridão facilita assaltos. Expõe os automobilistas a acidentes fatais e à criminalidade violenta. Os ministérios das Obras Públicas, da Energia e Águas e do Interior sabem. Nada fazem. Enquanto Carlos dos Santos ficar de braços cruzados, os acidentes vão continuar. Enquanto João Borges estiver sob o efeito estroboscópico, a via vai continuar escura como breu. Enquanto Manuel Homem escreve crónicas, as mortes e os assaltos vão continuar livres, soltos e em crescendo.
Página Três — FAVAS CONTADAS. Circula em meios restritos e de forma oficiosa a ideia de que o próximo congresso do MPLA será uma fava contada para João Lourenço. Quer controlar total e absolutamente o congresso.
Dominá-lo. Há garantias de que ninguém vai tugir nem mugir. O seu trunfo está nos jovens alçados ao Comité Central (CC) e acomodados no aparelho governativo. Informações oficiosas falam de “embaixadores” a pressionar potenciais candidatos. Objectivo: Desistência. Resultado: Caminho livre para a imposição da sua vontade e do seu candidato. O congresso vai ser sereno. Está no papo. João Lourenço está tranquilo. Demasiado tranquilo. Não tem oposição real no CC nem no BP. À partida, está tudo dominado.
Página Quatro — GUERREIRA JOAQUINA. No Tribunal Supremo (TS), ninguém sente saudades do antigo presidente. Joel Leonardo deixou um consulado de escândalos. Corrupção. Abuso de poder. Fez muita “sassassa”. Destruiu carreiras. Perseguiu colegas. O juiz Agostinho Santos morreu, entre outras razões, vítima da depressão causada pela perseguição de Joel Leonardo. A juíza Joaquina do Nascimento foi proscrita ilegalmente. Proibida de entrar no TS por Joel Leonardo. Teresa Batista, de Jorge Amado, cansou-se da guerra. Baixou os braços. Joaquina do Nascimento fez o contrário. Levantou o braço. Mostrou raça. Lutou por Justiça. E na Justiça. Ganhou a causa. Fez-se Justiça. Joel Leonardo já não risca no TS. A situação normalizou-se. Depois da tempestade, veio a bonança. Joaquina do Nascimento, a guerreira, regressou ao activo. Na bonança pós–Joel Leonardo.
Página Cinco — REI ABUSADO. Isaac Lucas, rei do Bailundo, iniciou, por sua conta, risco e abuso, o cadastramento de mais de 20 casas para demolição no Monte Havalala, província do Huambo. Argumento: Protecção do local por ali existirem crânios de antigos sobas. Um argumento esfarrapado. Isaac Lucas é atrevido. E abusivo. Atrevido, porque quer deixar famílias ao relento. Abusivo, porque se vale do título tradicional. A Administração local tem de o travar. Tem de lhe lembrar: Angola é uma República. Não é uma monarquia. Ninguém está acima das instituições do Estado. Os moradores devem apresentar queixa à PGR. Se insistir. Se abusar. Se avançar. Um rei numa República não risca nada. A sua coroa de nada serve.
Última Página — MEL NA SOPA. Vera Daves de Sousa chamou corajoso ao Presidente da República por ter escolhido uma “jovem mulher” desconhecida para ministra das Finanças, ela no caso. Tem razão. É preciso coragem. Coragem para nomear uma estudante universitária, com experiência quase inexistente, para um dos ministérios mais estratégicos de um Estado. Coragem também para não agir perante os roubos denunciados na AGT. Sem responsabilização política. Sem consequências. Confiar as Finanças do Estado a quem não conhece o seu peso estratégico é transformar o cofre da República num brinquedo de criança. Para isso, é preciso coragem. Muita coragem. E é esse o caso do presidente João Lourenço. Uma imprudência. Agora enaltecida. Quando o mel nos cai sobre a sopa, muitos chamam gratidão ao que é apenas conveniência.
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