Está a ser com profunda dor e alguma consternação que estamos a tomar conhecimento da morte paulatina da nossa já convalescente liberdade de expressão e sem o nosso consentimento expresso.
Aliás, quem somos nós para falar de consentimento se para as grandes decisões, não somos tidos nem achados? Ou até se calhar somos, mas não num contexto que nos favorece. Cá entre nós, favorecimentos são dados com critérios da nomenclatura familiar ou quiçá pelo tom da tez pouco acentuado para o anoitecer personificado.
Parece que ser escuro ou de tom de pele escura, num país em que o sol, quando decide fazer das suas, faz. Não só brilha como também deixa corpos sem brilho e a exalar aromas comprometedores. Parece que é um sacrilégio ser escuro no nosso próprio país.
Não queria aqui falar dos critérios que algumas instituições da banca ou dos seguros usam para o recrutamento de pessoal, porque talvez seja uma fake news visual. Os nossos olhos estão com hábitos que beiram a ardilosidade, e fazem-nos ver mulatos quem é “cabrito” e branco quem é albino. São makas, yah?
Mas não me quero permitir viajar sobre critérios alheios de selecção de funcionários. Quero mesmo é falar da minha liberdade de se expressar que sinto que tem estado a escapar-me entre os dedos, muito por culpa de uma lei que “naxeu e crexeu” a semana passada, mas ainda vai passar por um critério de correção social e se calhar humano, antes que não seja o diferir de uma faca ao próprio estômago.
Venire contra factum proprium é o agir contra os seus próprios interesses. É um pouco do que o próprio Poder Legislativo, quer fazer com que o Poder Executivo faça com o 4º poder que é a Comunicação Social mergulhar: num imbróglio de desinformação. Estamos prestes a assistir a um exercício cognitivo de especulação, ou diria melhor, de presunções com um fundo de veracidade duvidosa.
Vivemos uma semana de experimentos. Ninguém quer acumular razões que lhe façam mostrar o caminho asfáltico bem tratado da Boavista que dá ao CCL. Não falo do Centro de Ciências de Luanda, mas da Cadeia da Comarca de Luanda, onde quase todos os inocentes estão bem guardados. Porque são dez anos, prazo máximo que se estabeleceu no projecto de lei das fake news. Assim porque pensou e falou, não agradou, analisado os pressupostos, pronto: sumária com a pessoa e poderá ficar emprestado aos quartos da solidão, onde o sol nasce aos quadradinhos, como dizem.
Todos os dias temos um bom motivo para vilipendiar, mas conseguimos, grande parte das vezes contermo-nos. Agora o exercício de contenção terá de ser mais afincado. Não acredito que há pessoas que estejam dispostos em querer alterar o nome de registo para Perpétua porque seria este, juntamente com o estilo de vida. Se com o nome que tenho já nem me ajudo, imagine com um registo criminal maculado.
Podem criar leis que proíbam as pessoas de manifestar seus descontentamentos. Podem “obrigá-las” a não dizer o que pensam. Mas de uma coisa eu alegro-me: Não sou fake nas minhas news!
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